segunda-feira, 16 de julho de 2012

Homenagem às minhas amigas lindas, de quem sinto muita saudade agora que trabalho o dia todo.

Por causa de uma colega que foi mãe depois de mim, resgatei alguns emails antigos da época em que eu me preparava para voltar ao trabalho (fim da licença maternidade) e buscava auxílio de outras que passaram pelo mesmo processo. Fiquei extremamente emocionada resgatando tudo isso.
Primeiro porque me lembrei de uma época da maternidade que passou faz pouquinho tempo, mas que já parece estar muito distante. Vi, nas minhas próprias palavras, as angústias, medos e alegrias que eu sentia naquela época.
Mas também me emocionei bastante porque me dei conta da força da tribo. Do quanto ela sempre foi importante para a mulher e de como nós, mulheres modernas, nos esforçamos para manter essa instituição ainda viva.
Olhem meu caso:
Eu engravidei e me indicaram uma moça que trabalhava com gestantes. Assim conheci a doula e o parto humanizado e percebi que era exatamente o que eu queria para a minha vida. Aí ela me apresenta, mesmo que virtualmente, para uma ex-doulanda que virou amiga, e essa moça vira MINHA amiga. Compartilha as experiências que teve antes de mim, me ajuda com decisões, me consola e acalma. Chega a ser a primeira pessoa, de fora da minha casa, que fala comigo depois da Ju nascer.
A paixão pelo parto humanizado me leva à equipe que atende esse tipo de parto. E a GO mais querida do mundo me mostra o vídeo de um parto maravilhoso. Eu caço essa mãe fantástica, adiciono no Twitter e passo a trocar ideias com ela. Mais uma integrante da tribo virtual, hoje amiga queridíssima, pessoa quase alma gêmea.
Então a Julia nasce. E aquela nova amiga me empresta o sling, que me leva a uma oficina gratuita para aprender a usá-lo. A oficina é ministrada por um anjo. Passo a trocar emails com esse anjo e descubro a doula pós parto, a consultora de slings e amamentação e a criação com apego. Que benção!
Quando começa a chegar o momento da volta ao trabalho, sou apresentada (também virtualmente) para uma outra mãe, que passou pelo mesmo processo algum tempo antes, e me mostrou o caminho, entendeu minhas dúvidas, acalmou minha ansiedade. Outra nova grande amiga.
Nessa época eu usava meu humilde blog para contar tudo o que acontecia. E uma leitora, doulanda da minha doula, se identificou com as histórias. Nos conhecemos num encontro do grupo de apoio à maternidade, aprendendo a fazer shantala, e nunca mais nos largamos. As meninas tem praticamente a mesma idade, nossas opiniões são muito parecidas, a amizade foi instantânea.
E foi em outro grupo que eu conheci mais uma consultora de amamentação, que luta pelo direito de todas as mulheres, crianças e homens a uma vida livre. Ela me mostrou o outro lado de muitos paradigmas, me inspirou. Outra amiga querida.
E o mais legal de desenterrar os emails e textos antigos é que eu vi o quanto essas mulheres se cruzaram antes de serem amigas, por estarem buscando um objetivo comum: uma maternidade consciente. Quando eu busquei ajuda na hora de voltar ao trabalho, indiquei a consultora de slings. A mãe do parto lindo já havia pedido ajuda para a consultora de amamentação. O parto de uma foi notícia para a outra. A médica de uma foi médica da outra.
E um dia elas todas se juntam. E vira a maior e mais deliciosa lemomnada do mundo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Eu pari em casa.




Falando sobre os preparativos para a Marcha do Parto em Casa fui pega por um questionamento: apesar de ter tido um parto domiciliar, nossos planos originais eram de um parto hospitalar. Será que eu tenho o direito, assim como as mulheres que planejaram os seus PDs, de bradar com orgulho "Eu pari em casa"?
Fico com essa dúvida também porque, toda vez que alguém fica muito chocado ao saber que a Ju nasceu no meu banheiro, eu logo completo com uma explicação. "Foi sem querer", "Não deu tempo de ir para o hospital" ou "Foi tudo muito rápido" saem constantemente da minha boca. Será que eu me sinto digna de dizer que eu tive um PD?
Vamos analisar. O parto da Ju foi mesmo "sem querer"? Porque querer eu sempre quis. E não era aquele "Ahn, eu quero normal, mas não vou trocar de médico nem arriscar a vida do meu bebê com uma circular de cordão". Eu queria mesmo. Pesquisei sobre PD, conversei com gente que teve um, pensei nas possibilidades, cogitei seriamente ter um. E por que não optei por ele? Porque parto domiciliar não é para qualquer uma? Porque eu ainda tinha alguns medos e preconceitos?
Mas o parto da Ju foi mesmo acidental? Eu acredito que não. Se eu não tivesse me informado, tomado minhas decisões e escolhido a equipe que escolhi, eu muito provavelmente teria caído num conto do vigário qualquer e tido a Ju por via cirúrgica 2 semanas antes. E, mesmo se eu acabasse entrando em trabalho de parto para ter um parto normal, com certeza eu correria para o hospital ao menor sinal de TP e, nesse caso, não dá para saber qual o destino que eu teria.
Somente a escolha pelo parto humanizado e pela equipe humanizada para nos acompanhar que nos levou a esse parto domiciliar não planejado. Nós só não sabíamos que ele seria tão rápido e que nos levaria a um nascimento no banheiro.
Foi a presença da nossa doula e as instruções da nossa médica que nos fizeram ter tranquilidade para passar boa parte do TP em casa. Só a presença de uma GO e uma neonatologista humanizadas fez com que continuássemos tranquilos após o nascimento da Ju, ao invés de chamar o SAMU, desesperados.
O meu parto domiciliar não foi planejado, mas foi consequência de todas as nossas decisões. E serviu para acabar com os últimos pequenos medos: ter um apartamento muito pequeno para parir e acabar incomodando os vizinhos. Agora, na nossa família, não existe outra possibilidade para um parto em caso de outra gestação de baixo risco. É em casa e pronto.
Então: SIM, EU PARI EM CASA. E que venham os próximos.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pede cachimbo

Acho que o dia da semana que mais me estressa é o domingo. Domingo é o dia oficial de ver os avós. Normalmente vamos em uma das 3 casas, o que é legal porque a gente sai do apartamento minúsculo, vê a família e bate um rango. Se não vamos, em algum momento do fim de semana recebemos uma visitinha "só para ver a preta". É muito raro o fim de semana sem avós.
Não que isso seja ruim. É muito melhor uma família que ama a Ju loucamente do que uma que nem liga pra ela. Mas confesso que fico um pouco incomodada com essa dificuldade em ficar um tempo maior sem vê-la e mais irritada ainda com a dificuldade em ficar mais de um dia sem saber se "está tudo bem". Tá tudo bem, porra. Se não estiver, todo mundo vai ficar sabendo.
Mas a obrigação social do domingo me irrita por muitos outros motivos além desse. Começa na administração dos horários da Julia, desde o dia anterior, para conseguirmos chegar na casa dos avós da vez perto da hora combinada, sem sermos "atrasados" por uma soneca fora de hora. Aí tenho que pensar nas comidas para levar. Dependendo da hora que formos embora, tem um número X de refeições.
Mas comida é o de menos, a gente se vira com o que tiver disponível lá, em último caso. O que pega é o sono da Ju. Ela está terminando a transição de 2 para 1 soneca diária, mas ainda tem algumas recaídas. E isso é normal, mas é um saco quando acontece. E como o fim de semana é sempre mais bagunçado e na segunda ela tem que voltar para a rotina, eu tento manter a coisa o mais controlado possível para ela não sofrer muito no começo da semana.
Mas aí tenho que aguentar umas coisas que não consigo entender. Se a menina chega na casa dos avós dormindo, eu e o Fabio temos o maior cuidado do mundo para tirá-la do carro e e colocá-la em uma cama ou colchão sem acordá-la. Mas sempre tem 376988009 pessoas em volta, olhando para ela e mal deixando a gente se movimentar, falando com a gente enquanto carregamos um nenê dormindo, para saber se precisa de mais alguma coisa, se pode ajudar com XYZ. E, é lógico, a menina acorda. Juro que não entendo. Tem uma NENÊ que está DORMINDO e a mãe dela está colocando ela na cama. É tão difícil entender que é pra sair de perto e ficar quieto?
Ok, ok, acordou mesmo, bola pra frente. Curtimos o almoço, ela demora um pouco para se soltar (afinal estava dormindo até 2 minutos atrás, está numa casa estranha com gente esquisita, obviamente que quer ficar no colo de um dos pais), mas tudo corre bem e tranquilo. E então a gente começa a se preocupar com a soneca do dia.
Vou tentar fazê-la dormir em um outro cômodo, longe da bagunça. Ela dificilmente aceita dormir quando tem movimento, coisas novas e diferentes, então eu vou dar tetê afastada. E, quando olho do lado, tem 298392879 pessoas junto, querendo olhar ela mamar. É óbvio que ela não dorme. E as 83084385093 pessoas aproveitam, arrumam a desculpa de que 'ela provavelmente não quer dormir' e toca levar a menina pro meio da bagunça de novo.
Aí eu resolvo trocar a fralda. E 340938082038979 pessoas vem junto. Pra ver ela ser trocada. E me ajudar. Como se fosse algo novo pra mim. Mas tudo bem, eu vou aguentando. Irritada, mas compreendendo, e aguentando.
Só que uma hora a gente decide ir embora, dizendo que ela precisa dormir e que no carro vai ser tiro e queda. E sou obrigada a ouvir 'que não é a criança que quer dormir, e sim os adultos que querem que ela durma'.
É, acho que é isso mesmo. Mas vamos analisar os fatos:
1) A criança NÃO QUERER dormir não quer dizer que ela NÃO PRECISE dormir.
2) O adulto quer sim que ela durma. Porque é esse adulto que vai ter que aguentar a criança extremamente cansada e agitada, sem conseguir dormir, até tarde da noite. É esse adulto que vai acordar 983094830854 mil vezes na madrugada para dar peito para a criança que não tem qualidade no sono. E é esse adulto que vai levantar as 6h da manhã no dia seguinte para trabalhar e cuidar da casa e cuidar da criança, sem direito a soneca para se recuperar da noite mal dormida.
Portanto, respeitem o sono da criança. Mesmo se ela não demostre que quer dormir.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Tá faltando estrutura hoje

Comecei a ler as coisas sobre a votação da legalização do aborto de bebês anencéfalos que vai acontecer amanhã. Afinal, devo ficar por dentro, formar minha opinião sobre assuntos que influenciam diretamente a vida das mulheres brasileiras. Querendo ou não, eu sou mulher e, principalmente, a Julia vai se tornar uma e vai viver aqui, com as leis e direitos que a gente conquistar pra geração dela. A gente tem que cuidar do futuro das nossas filhas.
Acontece que não estou conseguindo. Tá me machucando. Isso e muitas outras discussões desse 'universo feminino'. Uma coisa é o racional estar preparado, outra bem diferente é o emocional estar.
Tô com vontade de correr pro meio do mato, com a Ju, o Fabio e a Bonnie junto (a saudade do Clyde ainda me pega de jeito...). E mandar o mundo inteiro a merda. Parar de ver essas coisas. Parar de saber que elas existem. Tô sem estrutura pra isso hoje.

domingo, 1 de abril de 2012

Déjà vu

Aliás, por causa desse novo horário, estou passando pelo maior déjà vu da minha vida.
Explico: A Julia ficava em casa de manhã e ia para a escola a tarde. Por isso, como as tetas estavam à disposição no período matutino, ela acostumou a mamar um monte nesse horário. Quando a gente mandava ela pra escola de manhã, só deixávamos ela lá depois das 8h30, porque ela já tinha mamado bastante e dali 1 hora teria o lanchinho.
Só que agora ela vai entrar no berçário as 7h30, horário que mamaria em casa mais umas 2 vezes até o lanchinho. Além disso, no próprio berçário as crianças mamam nas suas mamadeirinha de LA todas as manhãs as 8h30. E a Ju MORRE de vontade de mamar também ao ver todo mundo mamando.
Conclusão: peguei uma bomba elétrica emprestada (te amo, amiga Lemom!), fervi os potes, tirei a mamadeira empoerada do armário... E vou mandar meu leitinho materno bonitinho pra minha pequena mamar com os coleguinhas.
Só que, agora vários meses depois da primeira experiência, tá MUITO mais difícil conseguir ordenhar. Coloca MUITO nisso. Ralo as tetas, uso ocitocina sintética, tomo banho quente, tomo litros d'água... E sai 50ml. O máximo que consegui até agora foi 85ml, e comemorei como se fosse final de campeonato. Um detalhe importante é que não vou poder fazer a ordenha no escritório. Afinal, reduzi minha carga para 4 horas diárias, não posso perder 1 hora inteira trancada no banheiro. Vou ter que ordenhar todas as tardes, em casa, quando o Fabio estiver com a gente. E também todas as noites, algumaz vezes. E, se bobear, acordar ainda mais cedo pra completar a mamadeira do dia. SUPER!
Minhas Lemoms queridas já falam em LA, super na boa vontade. Que não faz mal só uma mamadeira. Que não tem problema. Que eu não posso me matar, tenho que ir até meu limite e aceitar quando não aguentar mais. E racionalmente eu aceito todos esses argumentos e até a possibilidade do complemento. Mas emocionalmente me dá uma dor! Milhões de vezes mais forte que a dor das tetas raladas pela bomba.

Acerta o seu aí, que eu arredondo o meu aqui

Amanhã vai ser o primeiro dia de um monte de mudanças aqui em casa. O Fabio arrumou um 'freela-fixo' e vai trabalhar fora todas as segundas, quartas e sextas, das 8h00 às 12h00. Como o meu trabalho também está meio bagunçado, em termos de horário e pagamento, resolvi propor uma diminuição da minha carga horária e do meu salário, junto com um local mais fixo de trabalho (fora de casa), e também trabalharei das 8h00 às 12h00, todos os dias. Assim, a Ju passará a ir para a escola na parte da manhã, entrando bem cedinho. Mais ou menos das 7h30 às 12h30.
Eu acho que, apesar de ter que acordá-la mais cedo do que ela acordaria naturalmente, vai acabar sendo bom pro relógio biológico dela. Vamos ter um pouco mais de estrutura nas nossas rotinas. Ultimamente está bem bagunçado, acredito eu que seja porque ela está num período de transição entre 'preciso de 2 sonecas por dia' e 'acho que rola só 1 soneca por dia'.
Até hoje a gente tem saído da cama mais tarde (entre 7h30 e 8h30, sem horário fixo), e ela anda dormindo na hora do almoço e almoçando mais tarde. E como na maioria das vezes o 'preciso de 2 sonecas por dia' prevalece, ela muitas vezes resolve cochilar de novo no fim da tarde e aí só vai ter sono para dormir de noite lá pelas 21h30. Juntando isso com o clima de 'preciso aprender a andar com máxima urgência', tem dias que dá meia-noite, mas não dá Julia na cama.
Sei que o começo vai ser meio duro na adaptação dos 3 dela. Juro que já tô com sono antecipado... Sei que ela vai ficar chatinha, eu vou ficar um cu, o Fabio vai ficar um trapo. Mas vamos que vamos. Nos desejem sorte.

domingo, 25 de março de 2012

MORRY!

Julia ACABOU de der 3 passos tímidos, sem apoio. Que delícia poder ver isso!